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sábado, 4 de fevereiro de 2012

A aventura do pão

Na madrugada de 20 de Julho de 1968, o galo cantou às cinco da manhã.
No monte da Malaquinha, o senhor Joaquim e a sua mulher Deolinda levantaram-se cheios de energia para começar um novo dia de trabalho.
Primeiro, comeram um pequeno-almoço de sopas de pão. Depois, trataram dos seus animais e seguiram para a herdade do Passarinho, onde estavam outros ceifeiros e ceifeiras.
Às sete da manhã, o senhor António que era o manageiro ordenou que se iniciasse a colheita do trigo, pois este já estava bem douradinho.
Ao meio-dia, foram almoçar a sopa da panela preparada pela dona Bárbara, a manteeira que também era responsável por fazer a comida.
Passados alguns dias, todo o trigo estava colhido e guardado no celeiro. O senhor José, na sua carroça, carregou o trigo para o moinho do Zorro, onde trabalhava o senhor João que era moleiro. Ele moeu o trigo transformando-o em farinha. Depois de ensacada, o senhor João levou-a na carroça para as padarias e para casa de várias pessoas.
O senhor João levava algum tempo a distribuir a farinha porque existiam cinco padarias: a do senhor Aurélio, a dos senhores Vidigal, a do senhor Viriato, a do senhor Banha e a do senhor Sampaio. Também deixou um saco de farinha em casa da dona Deolinda que fazia o seu pão.

A dona Deolinda tinha muito gosto em fazer o pão.
Ela colocava a farinha num alguidar de barro, fazia-lhe uma covinha e colocava lá água, sal e fermento; amassava muito bem com as mãos em punho. Depois, fazia uma bola de massa e com a mão fazia um gesto em cruz sobre a massa três vezes. Ao mesmo tempo, fazia uma reza assim: “Deus te acrescente… em nome de Deus para sempre”. A dona Deolinda desenhava com a mão uma cruz profunda na massa e punha-a a fintar até que a cruz desaparecesse. Só depois, o pão em massa estava pronto para ir cozer no forno de lenha. Passado uma hora, o pão estava pronto para comer e fazer uma deliciosa tibórnia.
A dona Deolinda preparou com o pão quentinho, azeite e açúcar amarelo a tibórnia que foi o pequeno-almoço naquele dia. O seu marido gostou tanto que disse:
- Ó “mulheri”, a tua tiborna ‘tá muito boa!
Dona Deolinda, muito vaidosa, respondeu:
- Sabes, “J’aquim”, eu deitei mais “açúcari".
EB1 de Santiago do Escoural. Turma A (texto coletivo).

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